Hi, I am Vitor.

natal parte um — semana #21

sextas como essa são, para mim, ajustadas à dimensão e ao contexto, como a manhã do natal. dois álbuns se destacam e então decidi deixar um post só para eles, e fazer um segundo mais enxuto com o resto (all them witches, aespa, kurt vile, iceage).

Boards of Canada - Inferno

Boards of Canada - Inferno

pra quem não sabe, boc é mais culto que artista per se. pra muitos, um lançamento é um evento e não é por menos, o ciclo entre álbuns costuma ser longo, mas quem tava lá desde o início (1998) ou pulou no barco desde então sabe o que vai encontrar. tem uma lealdade com a fanbase aqui, que não falha.

boc soa como mais nada soa. idm é o gênero em que eles costumam ser caracterizados, até por serem pioneiros dele, são artistas da warp como muitos dos idmers, mas eu já ouvi folktronica, downtempo, muitas definições. de fato, não lembram aphex ou squarepusher, são únicos. tem alma nas composições, coisas vivem dentro delas de um jeito diferente de qualquer outro tipo de música eletrônica. é orgânico de um jeito difícil de explicar.

aqui, voltamos para uma escuridão? soa sombrio. ou não? esses álbuns são impossíveis de serem digeridos em poucas ouvidas, e tudo bem, eu sei que vou ter 70 anos e vou voltar aqui. mas a atmosfera criada é, de fato, em uma primeira impressão, uma coisa mais parecida com o geogaddi, assustadora, muita coisa religiosa. são infinitas referências e muitas teorias vão surgir, existem páginas dedicadas apenas a isso.

tudo aqui é calculado. é uma viagem, é grande arte.

Nota: 8.2

Elder - Through Zero

Elder - Through Zero

songwriting, né? a arte de criar canções, unindo letra, melodia, harmonia, ritmo e estrutura em uma peça coerente. não existe em português o equivalente com uma palavra só (composição de canções?). ainda mais, albumwriting, né? aquela pink floydica habilidade de unir essas letras, melodias, etc, em um todo coerente que conversa, e se compreende.

aqui, temos uma Banda. pra todo canto cê vai encontrar elderismos, sinal de coisa madura que soa como si mesma e mais nada. eu voltei essa semana e ouvi os três primeiros álbuns e tão muito longe disso aqui. longe até do reflections, que é quando as coisas começaram a engrenar. é uma crescente audível.

riffs e grooves monstruosos, quebras e belas passagens melódicas vão cristalizando quanto mais cê escuta (três aqui, por enquanto). sucessor espiritual do que mastodon e baroness fizeram bem por muitos anos. grande álbum. épico. refresco no meio de tanto same-old same-old. compre o vinil, compre o digital. viva o rock and roll.

highlights: through zero

Nota: 8.1
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